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domingo, 27 de março de 2011

Tempestade...

Não há tempo pra sentir. Cansada de escrever minhas dores, cansada de amenizar amores. E a vida real é seca e não há criatividade poética no apressar das horas. Os dias passam como rolos compressores que esmagam o desejo - e a necessidade - de emergir do poço fundo dos compromissos para respirar o ar dos sonhos mais fantasiosos e cor de azul.
Não há tempo de mim para mim mesma, não sobra tempo para que me enxergue na frente da imagem que mal vejo no espelho. Não sou mais eu, sou apenas mais uma. Viro, em 24 horas de 7 dias da semana aquela que faz uso de mim e só, e sozinha. O relógio, agora tão íntimo, é o único que me acompanha, o único que jamais irá parar para me escutar. Ele berra em meus ouvidos: Avante! Avante!
E o coração, desordenado de tempo e espaço, aquele pedaço desejante de todos os seres humanos que fui e vi, carregado no fundo estreito do meu peito, que apertado em si, salta pra fora, agora encontra-se coagido pela frieza das horas que passam. Esse pedaço que lateja meus sonhos, que não separa passado e futuro, que não conhece a emergência do presente, urge por um tempo para poder bater. Meu coração nunca mais parou pra respirar.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Reclama, menina!


Estava evitando, mas carecia vir aqui deixar um rastro. Meu intento aqui seria de me sonegar, mas sei que acabarei sendo capturada. Tenho sido mais transparente do que me agrada, do que posso sustentar. Sou de me adulterar em explicações, mas ultimamente tá arriscado – quanto mais me escondo, mais me deixo ver. Hoje me consinto sem culpas: preciso me dizer, me escrever, me confessar. Mas vai ser mais um texto confuso-contraditório, se prepare.
Não sinto saudade nenhuma da última vez que tive raiva de mim, mas procurei modos de sentir de novo. Se houvesse em minha testa um botão "retroceder", esse só não estaria tão gasto se existisse também um "reiniciar". Tô tomando gosto por essa coisa de fazer burrada só pra garantir o remorso. E me sentindo usada pelos meus abusos de quem acha que tem arsenal suficiente pra sobreviver a cada queda. Decepções não só engordam como também matam.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Férias do desassossego


O ar apertando no peito já me sufocou tantos sonhos que havia cansado de tantas emoções. Naqueles dias em que o amor me sorriu, tive medo. Há tempos tenho tentado desfazer a imagem de ser pérfido que criei dele, mas vem sendo difícil. O coração tem sido meu maior vilão, morando dentro de mim fica ainda mais fácil combatê-lo. E no fundo sei que não quero. Mas uns tempos de alívio me fariam entrar em paz com este coitado que de nada tem culpa. Se pudesse encontrá-lo cara a cara sei que ele me diria que eu judiei dele tantas vezes e que agora ele não confia mais em mim. Engraçado que ontem (e esse ontem pode significar qualquer dia desses) quando me olhei no espelho senti exatamente essas palavras se comporem para mim. Quero férias do meu coração e ele de mim, parece que estamos em tempos de guerra.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Diária? Mennte!

Texto escrito especialmente para o Diária☆Mennte, meu blog intimista, tão abandonado.



Engraçado... quando criei esse blog tinha em mente construir um espaço onde eu pudesse, dia após dia, falar sobre mim, sobre como me sinto, sobre o que tenho feito e deixado de fazer. Queria ter um "ouvinte", mesmo que tão virtual, mesmo que tão passivo. Queria algo [na verdade alguém] que pudesse me permitir desabafos, comemorações, confissões ou coisas tão íntimas e humanas que fazem parte do nosso cotidiano. Queria contar um sonho impactante, uma vontade repentina, um rompante que mudasse meus rumos, um fato que desecandeou sentimentos e perspectivas. Queria história. Infelizmente esse espaço não deslanxou. E não falo isso em aspecto público, de acesso ou de seguidores. Falo isso voltando-me completamente para mim mesma. Falo do meu "compromisso", que era no fundo uma vontade, de poder construir um pouco de mim aqui dentro. Percebi, enfim, o quão difícil é não se esconder por trás de palavras que soam bem, de um personagem que todos querem se identificar (ou acabam se identificando por acidente) e de uma história atraente, de um conto romântico, de um final feliz ou trágico-poético. Falar sobre o meu lado humano, de modo tão puro e natural foi sempre tão comum lá na minha agendinha de 1997, capa vinho com foto do ex-namorado da infância que eu sequer lembro porque gostei. Mas aqui isso não funcionou. Não por medo de exposição, não por conta da sutil imposição que me fiz, sem intenção alguma. Mas por medo do contato comigo mesma, e não com a pseudointelectualescritorablogueira que posta aquilo que gostaria de ser, viver ou falar.